16 de dezembro

Hoje, como em outros 16 de dezembro acordei com uma sensação estranha. Sei que se trata de uma data importante, mas enquanto vasculho as caixas mentais erradas – aniversário de amigos ou alguém da família; alguma data nacional importante – aos poucos a memória vai recuperando os fios corretos. Há exatos 23 anos, num domingo ensolarado, o Corinthians vencia seu primeiro Campeonato Brasileiro. Eu estava lá, atrás do gol, onde Tupãzinho fez seu gol inesquecível. Um dos mais de 100 mil que foram às lágrimas quando o clube enfim o clube conquistou seu sonho de época (como a Folha estampou na manchete de seu caderno de esportes, que ainda guardo um tanto puída nos meus arquivos mal organizados). É interessante lembrar dessa história por algumas passagens que ainda se mantêm assustadoramente atuais hoje, quase um quarto de século depois, neste país que passou por profundas mudanças, mas onde muita coisas permanece intocada. Fui ao jogo com meu amigo Dan Filip, mas conhecido hoje como Dan Stulbach. Eu e ele em seu fusca branco, que infelizmente seria roubado meses depois. Esperávamos encontrar mais tarde outros amigos numa das entradas do estádio, algo que na prática não se concretizou. Na ida para o estádio, nós, sem nenhum traje esportivo ou cânticos entoados, fomos tocaiados por um dos ônibus da torcida do São Paulo, cujos integrantes desconfiavam de nosso latente corintianismo. Por sorte apesar do perrengue, conseguimos nos livrar numa das brecha do trânsito. Já dentro do estádio, empaçocados num lance de arquibancadas onde deveria caber metade dos presentes, vivemos a emoção da vitória, que parecia perfeita com o final de tarde magnífico naquele ano marcado pela mais pífia campanha de uma seleção brasileira numa Copa do Mundo, desde 1966. Como baixar a guarda nunca é bom negócio nos trópicos, a saída festiva quase acaba em tragédia pela peculiar organização dos ônibus de torcida, parados em filas duplas e triplas nas vias que deveriam escoar os torcedores, obrigados a se espremer uns contra os outros. Para fechar com chave de ouro nossa epopeia esportiva (?), ao deixar o estádio, comemorando o título, fomos classificados por um dos ônibus da torcida do Corinthians como tricolores infiltrados. Por sorte, tanto tempo depois estou por aqui para contar essas histórias, e para me lembrar que 16 de dezembro é uma data em que tenho muito o que comemorar.

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