Um ano em discos, livros, filmes etc

A coluna se despede com uma retrospectiva de 2013. Acho que vale sempre repetir aquelas letrinhas miúdas em que as revistas deixam claro que as ideias de seus colunistas não correspondem às ideias do veículo. No meu caso, as opções abaixo só dizem respeito às minhas idiossincrasias.

Em termos de idiossincrasias nada seria pior que listar opções a que tive acesso em viagens, longe dos ouvintes e leitores do blog. Atenho-me às coisas daqui, ao que está disponível para quem leva a vida nas cidades do país, o que já é um bocado.

Quando as explicações não bastarem, apelo às listas, que ao lado das fofocas são os melhores pecados da humanidade.

Livros

Em ficção foi o ano da poesia. “Toda poesia”, com suas mais de 60 mil cópias vendidas tocou uma sirene gigante na cabeça dos editores. Espero que todos façam enfim o trabalho que precisa ser feito: manter ativo um catálogo onde país, muito mais do que na prosa, é relevante. No gênero tivemos grandes relançamentos como “Poética”, de Ana Cristina Cesar  e “A invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima. Grandes obras também ganharam reedições importantes, como as duas (LP&M e Cosac) de “Decameron”, de Boccaccio, e a de “Contos da Cantuária”, de Chaucer (Penguin/CIA). Tivemos bons romances, mas não vejo nenhum no horizonte que se destaque da média. No gênero o que mais gostei foi da pequena pérola “A vida privada das árvores”, do chileno Alejandro Zambra. Tivemos ainda boas biografias: duas ótimas a respeito de Tolstói, uma sobre Lucian Freud, e outra sobre Jack Kerouac. Entre livros-reportagem, “Holocausto brasileiro”, de Daniela Arbex (Geração) foi o que mais me impressionou. Mas sem ter muitas dúvidas, o grande livro publicado no país em 2013 é o impressionante “Longe da árvore”, de Andrew Solomon, profundo relato sobre a excepcionalidade de filhos e os desafios do núcleo familiar.

Cinema

“Django Livre”, de Tarantino. Grande Tarantino, ultrapassa o ano e se mantém como um dos topos de sua carreira.

“Anna Karenina”, de Joe Wrigth. O grande injustiçado do ano. Não é fácil adaptar um monstro como Tolstói. É pra poucos ter linguagem própria. E pra bons reinventar uma história do XIX para as novas e impacientes audiências atuais.

“Cesar deve morrer”, dos irmãos Taviani. Um acerto na imbricação entre documentário e ficção. Para quem ainda acredita que a arte pode transformar os mais brutos.

“A caça”, de Thomas Vinterberg. Como “A fita branca” de Haneke, expõe o pior das pequenas comunidades, a força dos rumores que supera a verdade.

“Amor”, de Michael Haneck. Não há meio termo com Haneke. Quem se propõe a passar duas horas diante de uma tela em sua companhia deve ir preparado. Não indicado para quem tecla no celular durante a sessão.

“Azul é a cor mais quente”, de Abdellatif Kechiche. Pra rever daqui a cinco anos. Impossível não estar influenciado pela exibição recente.

“Searching for sugar man”, de Malik Bendjelloul. Oscar de documentário. A melhor história de resgate da sarjeta, desde que Mickey Rourke voltou a fazer filmes.

O pior do ano: “O grande Gatsby”, de Baz Luhrmann. Grandes esperanças que deram num pastiche.

TV

O fato do ano é morte de James Gandolfini. Entre os vivos, tivemos uma ótima temporada de “Mad men”, uma excepcional temporada de “Homeland” (o que pode ter sido o começo do fim), e “Newsroom” se reinventando. O fim de “Breaking bad” foi um pico. Ainda não estou bem certo de que a série resiste à fúria do tempo. Neste quesito, “The wire”, que acabou em 2008 permanece imbatível.

Exposições

O país segue vendendo engodos como a mostra de Lucian Freud no Masp. O Masp segue perdido, incapaz de cumprir uma vocação que deveria estar acima de seus gestores. Do que pude ver, duas mostras foram excepcionais. A do sul-africano William Kentridge, no Rio no IMS, em SP na Pinacoteca, e a que cobre a carreira do Kubrick, no MIS-SP, ainda em cartaz.

Música

Esse é um mundo vasto, onde a cada garimpo se descobre mais veios. Vivendo no Rio, fico feliz com o crescimento da OSB, cada vez mais uma orquestra à altura da cidade. Se atendo aos grandes lançamentos, três me parecem imbatíveis: os novos de Bowie – “The next day” e Daft Punk – “Randon Access Memories”, e o espetacular “Push the sky away, de Nick Cave.

 Um grande 2014 para quem se arrisca a aparecer por aqui!

 

 

 

 

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