Chico

Qual a primeira lembrança que eu guardo do Chico? Estranhamente não é nada sonoro. É a cor de um papel, o cheiro de papel amanteigado trazido por meu pai num começo de noite. Meu baú musical é repleto dessas embalagens. É um baú visual. A surpresa do papel colorido, estampado, selado por um adesivo de loja. Que mistério! Mas não parava por aí. Quando se revelava – com cuidado, para não rasgar o papel que de tão esticado parecia ter sido passado a ferro – havia a surpresa das capas, molduras de quadros – cenas domésticas, gravuras, fotos posadas. Minha primeira lembrança do Chico é uma surpresa: os encartes encenados de “A ópera do malandro”, o álbum da peça musical. Para quem não acredita que é possível educar, entreter e divertir numa mesma sentença, o que dirá dessa versão primorosa de Brecht e Kurt Weil? Para mim, um guri louco para começar a entender do que era feito o mundo (coisa que infelizmente não evoluí muito desde então), conhecer Duran, Vitoria e Geni foi quase como ser apresentado a uma família nova. Talvez venha daí minha crença obstinada na ficção. O efeito das narrativas sobre a imaginação. A corda da sensibilidade que precisa ser tocada, tocada e tocada. Por sorte, no Brasil, há sempre uma canção.

Para que não ouviu, a CBN fez uma homenagem bacana aos 70 anos do Chico completados hoje. Boa parte dos comentaristas e âncoras conta sua relação com o compositor. Você pode ouvir aqui.

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