Discordar me faz pensar

Discordar me obriga a pensar é o que deduzo lendo os jornais. O colunista que pensa diferente me instiga mais do que o que confirma as ideias que intuo. Discordar é a base de qualquer organização do pensamento. Propomos, contra-argumentamos e sintetizamos dentro da cachola, com os nossos botões. Somos dialéticos no exercício de pensar. E por que então tanta aversão ao debate, meu amigo Descartes? A descrença na representação política tem muito a ver com isso. Não há dissenso, pensamos. São todos iguais, dizemos. O país não tem oposição, ecoamos. Não discordar é a melhor maneira de reforçar o status quo. É tudo o que desejam os que conservam as coisas como estão. É só olhar em volta. O consenso deixou de ser uma construção dos contrários. Pra ser a maquiagem do velho desejo de se perpetuar. Para os perversos, debater é bater. Pode ser com a voz, com a tecla, pode ser com o bastão. Discordar não, se atirar contra. Atirar-se. Atirar. Ir de encontro. Pra quem tem preguiça de pensar, o debate vem fantasiado de achaque. É só reparar: atrás de um exaltado há sempre um lobo de pantufas.

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