O ano em livros, filmes, música e afins ciceroneado pelo meu humor vacilante

2014 vai ficar para a história como um desses anos que não acabaram. As retrospectivas não deveriam deixar de notar que a conta de assuntos pendentes segue volumosa, alheia ao calendário romano. As contas do governo não fecham, o buraco da Petrobras não para de afundar, Obama abriu o sorriso pra Cuba. Assuntos pendentes. Da minha parte peço apenas que cessem as mortes de escritores, de grandes escritores (quem sabe o homem que cuida da lista final de todos nós poderia mudar o foco para os escritores de araque), e que os velhotes da CBF sejam pegos com a boca na botija. De resto peço o que cabe a todos nós pedir a cada passagem de ano: rango, cafuné e Frank Sinatra.

Livros

Foi o ano da morte não da ficção, mas de ficcionistas importantes. O maior latino-americano, García Marquez, o maior brasileiro, Ubaldo, o maior nordestino, Suassuna, mais Manoel de Barros que fazia das coisas do mundo poemas. Isso só pra ficar no mundo latino. Foi o ano de um francês – Thomas Pikkety – nos mostrar como o mundo segue sendo um lugar onde a ganância de poucos segue intacta. Foi o ano da França no Nobel, com Modiano, que agora volta as livrarias brasileiras. Por aqui foi o ano do Chico fazendo da vida do pai e da própria vida ficção.

Filmes

Vou fazer uma maldade aqui: a maior parte dos melhores filmes que vi este ano, provavelmente você não viu (alguns resenhados aqui). Sim, porque os filmes que fizeram a minha cabeça foram vistos em festivais ou viajando por aí. Dos que eu vi e todo mundo deveria ter visto, gostei muito de “Boyhood”, aliás gosto de quase tudo que Richard Linklater já fez. Gosto muito também de “Relatos Selvagens”, que virou cult por aqui. “Begin again”, é um filme danado de gostoso para um sábado de despretensão absoluta. Gosto de “Imigrantes”, menos do que dos outros filmes de James Gray, mas o suficiente para se destacar na produção atual. Não foi um grande ano na tela.

Música

O bom são os velhos. Os velhos de alma imortal, como o gênio Leonard Cohen, que aos 80 produziu essa pérola chamada “Popular problems“. E o velho de referências, Jack White, com mais um álbum grandioso “Lazaretto”. Ano de vinte anos sem Tom, que virou estátua em Ipanema (na semana passada tomei uma com ele, observando o pôr do sol).

Mostras

Com mais uma Bienal micada (uma instituição que se não se repensar vai morrer na praia, ao lado do MASP, que ensaia agora colocar a cabeça para fora da água), a grande mostra do ano no país foi a da japonesa Yayoi Kusama no Tomie Othake, disparado o melhor espaço expositivo de São Paulo nos últimos anos.

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