O mais perfeito dos dias carnavalescos

Nestes dias de folia, quem não curte brincar o Carnaval torna-se um pária, um doente (do pé) contagioso, um estraga-prazeres. Fico feliz em fazer parte da tribo. Numa real democracia, os dias de blocos e desfiles deveriam ser compensados por dias de silêncio e reflexão (será?). Há, porém, algo divertido em ser um verdadeiro outsider. Fantasias (dentro da cabeça) pra vestir e sair por aí, entre o intervalo dos tambores. É o que tenho feito. Como um morto-vivo que levanta das catacumbas, saio do meu retiro quando o sol se põe e caminho rápido, trajando minha indumentária negra, pelos atalhos do bairro. Desviando-me das ruas coloridas sigo até uma portinhola que dá acesso a um culto muito peculiar. Lá, meia dúzia de seres nada bronzeados silenciam diante da tela em branco, onde durante duas horas se projetam fantasias. A noite de ontem, por exemplo, não podia ter sido mais apropriada, conduzida pelo meu ex-vizinho paulistano, Nick Cave. Para quem não conhece, ou já é fã do bardo australiano, “20000 dias na terra“funciona como um catecismo. Aprende-se que a imaginação é o que expande os limites do ser, e as narrativas são o diálogo possível com os fantasmas da alma. Fantasias, fantasmas, transformar, inventar. Quer algo mais carnavalesco?

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