Ciclovias polêmicas

No último FDE, critiquei a decisão da justiça de São Paulo que suspendeu as obras do projeto de ciclovias da prefeitura da cidade. Quem me conhece desde o começo do programa, sabe que acredito na utilização da bicicleta como meio de transporte, e que sou crítico à nossa dependência absurda do transporte individual. Combinar diferentes formas de locomoção é o melhor modelo para as metrópoles, e mais cedo ou mais tarde, provavelmente movida pelo caos, São Paulo vai aposentar a cartilha malufista que habita o inconsciente de seus moradores. Em relação à decisão da justiça, abaixo reproduzo minha resposta a dois ouvintes que me criticaram (é realmente um prazer ser criticado com argumentos em termos de guerrilha virtual). Um deles, usa como contraponto à minha opinião o editorial do Estadão de hoje, cujo link também pode ser acessado.

Prezado, obrigado por sua audiência e pela mensagem.

Para dar nome aos bois fui eu quem critiquei a decisão da justiça em relação ao projeto de ciclovias em São Paulo. Parece-me que uma série de questões se misturam neste debate quente que ocorre na cidade. Por um lado é muito difícil para uma população que, por décadas foi incentivada a comprar automóveis, imaginar outras formas de deslocamento na cidade. Por outro, há um lobby violento daqueles que também há décadas vivem de fazer dinheiro com esse modelo. Há ainda um prefeito, um tanto destrambelhado, que utiliza-se de um projeto que pode ser realmente revolucionário como bandeira de seu mandato. Ou seja, não dá pra ser ingênuo quando compramos opiniões alheias. Li a do Estadão, e é exatamente a que eu esperava de um veículo historicamente ligado ao status quo. Quanto aos argumentos da promotora, e a decisão do juiz, assim como se acusa o prefeito de falta de embasamento técnico, também vejo em em suas peças jurídicas um tanto de opinião pessoal. Dizer, como diz a promotora, que o projeto “não se coaduna com o interesse público” não pode ser considerado um fato, mas uma ideia que contrasta com as primeiras pesquisas feitas junto à população. O mesmo pode-se dizer do juiz para quem as obras da Paulista “aparentam” ter algum estudo técnico, simplesmente por ocupar os canteiros centrais.
É importante neste momento debater, dialogar e cobrar o poder público, mas não se pode ser ingênuo. Mais do que nunca é a sociedade civil que precisa tomar as rédeas dessas decisões, colocando os poderes no papel de atender as necessidades da população.

Um cordial abraço,

José Godoy

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