Algumas razões para ler o “Drácula”, de Bram Stoker

Você conhece Drácula, o personagem, mas não deve ter parado para pensar quando ouviu pela primeira vez o seu nome. É certo que histórias de vampiro povoam os primeiros anos de vida, onde figuras exóticas e monstruosas parecem servir como introdução aos riscos inerentes à existência, mas realmente não é fácil se lembrar, e ainda mais de que seja fruto do trabalho de um autor.

Pois é. Mesmo que histórias de vampiro há muito circulassem antes de Bram Stoker colocar ponto-final em seu livro, é este irlandês, administrador de uma companhia de teatro londrina, que irá fixar definitivamente na literatura ocidental a história do conde que deixa a Transilvânia e se muda para Londres atrás de sangue novo e aventura. O cinema faria o resto com suas mais de duzentas versões.

Seu primeiro título, “O morto-vivo”, foi abandonado pouco antes dos originais seguirem para o prelo, em maio de 1897, e nasce de um sonho perturbador de Stoker transcrito num trecho do diário de Jonathan Harker, seu alter-ego. A narrativa se passa em seis meses do ano de 1890. É a década final da Inglaterra vitoriana (a rainha morreria em 1901), um ambiente em que forças da modernidade ainda disputam espaço com o moralismo vigente, uma atmosfera embalada por angústia e terror fin de siècle.

A estrutura do romance, um cardápio variado de diários, cartas, relatos de bordo, notícias de jornal, faria muitos dos autores atuais corarem pelo arrojo e o domínio narrativo. Se foi um pequeno best-seller na sua época, foram necessárias várias décadas para que apenas muito recentemente tenha-se prestado o devido reconhecimento artístico a essa grande obra de arte, cujo assunto principal, que escorre movediçamente por entre suas engrenagens, é a sexualidade; os embates entre moral e desejo, civilização e impulso, religião e castração. Colocando, como poucas vezes a literatura foi capaz, o desejo feminino no mesmo patamar do masculino.

 

 

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