A educação pela varada

Estudantes do ensino médio estão acampados em dezenas de escolas de São Paulo em protesto contra o novo plano de reorganização do ensino público no estado. Hoje, tive a oportunidade de observar duas formas equidistantes de tratar o problema.

Parado no congestionamento causado pela manifestação dos estudantes na esquina das avenidas Rebouças e Faria Lima, ouço do taxista que me conduzia sua solução para o problema: dar varadas nos manifestantes.

Corta.

Mais tarde, nas proximidades de uma das escolas ocupadas (desvio rápido: cartolinas afixadas nos portões listavam alimentos a serem doados aos ocupantes. Desvio rápido 2: entre caixas de leite e sacos de pão forma, latas de leite condensado eram requisitadas. Uma lembrança da juventude dos amotinados) observei o diálogo entre um policial da ronda escolar e um grupo de estudantes. De forma didática, o PM agia como um mediador, como alguém capaz de diferenciar uma briga na hora do intervalo, ou um baseado no bolso de um adolescente, de uma ação criminosa. Agia como um educador, e não como um agente repressor.

É algo que parece escapar ao Poder Executivo, que tenta implementar um projeto que muitos especialistas dizem ser coerente, de forma não democrática.

Escolas deveriam ser o primeiro lugar para aprendermos a lidar com diferenças de opinião e pontos de vista, aprender sobretudo que ser convencido não é uma fraqueza, mas uma conquista da democracia.

Até agora os alunos movidos a latas de leite condensado tem se mostrado mais maduros que os burocratas do estado, que ainda parecem acreditar que varadas são um tipo de argumento.

 

 

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