Uma tremenda série e a melhor aposta para novo 007

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Os protagonistas de John Le Carré em algum momento deparam-se com um dilema: como manterem-se íntegros diante das estruturas corruptas do poder. Revelam com seus atos os limites da ética do indivíduo diante do banditismo oficializado, ou convivendo com a amoralidade. Não é difícil adivinhar que um escritor magnifico como Le Carré não se contentaria com qualquer maniqueísmo rastaquera, tampouco com heróis inverossímeis. Seus homens e mulheres feitos de fibra e combustão interna se dão mal, muitas vezes mal a ponto de desistir.

Obviamente, o cinema já cravou suas ventosas gulosas no corpo robusto desta obra que se espalha por mais de cinco décadas. Nessa direção, cabe separar o que há de bom e o que há de equívoco.

Boa parte de sua produção é fiel à Guerra Fria e seus desdobramentos. É onde se encaixa “O espião que veio do frio”, ainda nos anos 1960, ou o datado “A casa da Rússia”, com roteiro de Tom Stoppard e Sean Connery pós-James Bond. A promiscuidade entre governos e grandes corporações pode ser vista no melhor filme de Fernando Meirelles: “O jardineiro fiel”. Mais recentemente, os produtores ingleses vem se dedicando com avidez. Do confuso “O espião que sabia demais” ao ótimo “O homem mais procurado”(numa das últimas e magistrais atuações de Philip Seymour Hoffman). A bola da vez é “The night manager”, séria em seis capítulos que vai ao ar quase secretamente no Brasil, pelo canal AMC.

A trama, originalmente situada na Guerra do Iraque nos anos 1990, é transferida para o Egito da Primavera Árabe. Jonathan Pine (Tom Hiddleston) é o gerente noturno de um hotel de luxo no Cairo, cuja vida será transformada drasticamente durante a queda da ditatura Mubarak. A ação se acelera no tempo e desloca-se entre Suíça, Espanha e Londres. Personagens dúbios e heróis com ideais cada vez mais raros, como honra e compaixão, se enfrentam. O mal ora se personifica num vilão com ares bondianos (interpretado pelo ex-doutor House, Hugh Laurie), ora se dispersa entre empresas de fachada e órgãos de governo. Um biscoito raro e fino que dá a ver o melhor candidato a novo 007.

É só fazer as suas apostas.

 

 

 

 

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