Vozes das vítimas de Tchernóbil

O problema com as tragédias é sua hierarquização. A ideia de que algumas tragédias são mais trágicas do que outras quando atingem determinados grupos, determinadas regiões do globo. Há também o problema de tragédias que poderiam ser evitadas e seu efeito sobre governantes incapazes. Um problema ainda maior quando esses governantes são tiranos. A Nobel Svetlana Aleksiévitch enfrentou todos eles. Deu voz, com sua escrita imbricada no limite fronteiriço entre o jornalismo e a ficção, às vítimas dessas tragédias. Vítimas do império soviético, na maior parte do tempo de seus estertores finais. Vozes de Tchernóbil, apresentado no Clube do Livro de hoje, faz parte desse raríssimo projeto literário. Durante dez anos, Svetlana entrevistou mais de quinhentas testemunhas da explosão de um dos reatores da usina nuclear. Relatos orais, organizados metodicamente pela escrita da escritora, que imprimem uma espécie de memória coletiva, uma memória do horror, uma espécie de horror diante do qual à própria linguagem surge enlutada.

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