Perseguidores da memória

remember_poster

Este texto não contém spoilers, mas uma série de elogios efusivos.

Falo de um dos melhores roteiros das últimas temporadas, Remember, do canadense Atom Egoyan (com roteiro de Benjamin August), lançado por aqui na semana passada como Memórias secretas.

O nazismo e seus efeitos demoníacos tem sido um gênero substancioso do cinema. Um gênero com filmes definitivos como Mephisto, O ovo da serpente, Os meninos do Brasil, e mais recentemente O filho de Saul. O que surpreende ainda mais em Memórias secretas é justamente o fato de conseguir encontrar um enfoque próprio, desde as primeiras cenas: dois idosos, interpretados pelos craques Martin Landau e Christopher Plummer, vivem num pacato retiro, de onde arquitetam uma aventura ardilosa: perseguir um soldado nazista pelos vastos territórios da América do Norte. É um filme sobre feridas que nunca cicatrizam, mas mais do que tudo um filme sobre a memória, sobre as mais distintas e subterrâneas e muitas vezes esquecidas lembranças que nos habitam, que nos conformam e nos identificam. Memória de quem somos frágeis reféns, tão frágeis quanto corpos macerados pela barbárie.

 

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