Clube do Livro – “A morte do pai”, Karl Ove Knausgard

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O livro deste mês no Clube do Livro foi a primeira parte da série Minha Luta, do norueguês Karl Ove Knausgard, “A morte do pai”. Neste projeto literário ambicioso e impressionante, o que salta aos olhos desde o primeiro volume (que se abre com uma descrição monumental do funcionamento das engrenagens da vida) é a exploração de duas questões fundamentais para a narrativa contemporânea: a ficcionalização da memória e o fastio das engrenagens ficcionais.

Narrar, escrever sobre a experiência encerrada, discursar no presente sobre o já ocorrido, todos sabemos ou de certa forma intuímos ser como um imenso jogo de forca: palavras soltas, frases solitárias que, sem vizinhas próximas para se juntar, se recusam a nos oferecer sentidos. O que Karl Ove expõe em seu projeto é a possibilidade de colar essas partes soltas por meio da ficção, unindo numa narrativa o que tantas vezes é só fragmento.

Ao mesmo tempo, narrar a própria experiência por meio das engrenagens ficcionais é um modo de escapar da repetição de convenções que apenas se sustentam neste século acelerado pela imensa generosidade do leitor. Karl Ove propõe que não é preciso inventar nomes e tramas para se contar uma história que obedeça a regra básica da ficção: o contrato de verossimilhança, a crença do leitor em que o que é narrado possa ou poderia ter acontecido.

 

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