The get down

The-Get-DownA opulência da Nova York atual parece ter chamado a atenção de alguns artistas para um período bem menos glamoroso da cidade. Mais especificamente os anos 1970, em que a metrópole falida lidava com a explosão da violência urbana, da profissionalização do narcotráfico, ao mesmo tempo em que via aflorar um dos momentos mais criativos de sua história.

É esse o material do romance sensação de Garth Risk Hallberg, Cidade em chamas, e da nova série da Netflix, The get down, que revisita o Bronx da época para mostrar o surgimento do movimento hip hop.

O cenário é conhecido de nós brasileiros. Uma comunidade abandonada pelo poder público, ocupada por milícias e gangues, onde a população mais pobre, basicamente negros e latinos, precisa se virar.

O diretor Baz Lurhmann, capaz de pérolas como Moulin Rouge e de fiascos como sua versão do Grande Gatsby, projeta em nossas telas caseiras texturas só vistas nas grandes salas. Impressiona e confunde nos primeiros minutos, e não me surpreenderá se o projeto, que custou a bagatela de US$ 120 milhões, fracassar em termos comerciais. Mas trata-se de grande arte, mais um passo na confirmação do suporte doméstico como ápice criativo da produção audiovisual atual. Ritmos, cores e sons à altura da enorme força vital que movimentou um grupo de jovens que, reciclando e recombinando a tecnologia que tinha em mãos, inventou uma nova forma de arte; uma arte visceral, urbana, feita no corpo e para o corpo, potente como uma rima de Shakespeare reatualizada.

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