“A fantástica vida breve de Oscar Wao”diverte e assombra

Junot Díaz

Duas rotas correm em paralelo na terna e hilária narrativa “A fantástica vida breve de Oscar Wao”, de Junot Díaz. É impossível não se divertir com as peripécias de Oscar, um geek, de origem dominicana, que vive num subúrbio de Nova Jersey (para ser exato em Paterson, cidade-ícone na literatura americana de que falei aqui). Seu amor pela chamada baixa cultura (será que ainda devemos validar esse tipo de etiqueta?), sua obsessão por Tolkien e acima de tudo em encontrar um amor, comovem e divertem. Já teríamos aí um livro, mas há um segundo, mais denso, profundo e cruel, protagonizado pelas mulheres de Oscar: sua mãe e sua irmã. Principalmente a mãe, Beli, e a trajetória que a leva de Santo Domingo para os Estados Unidos.

Esta América, que dá corpo e voz aos Estados Unidos contemporâneos, e que o demente Trump imagina que possa represar com um muro físico, reencena a história que não se repete como farsa nos países abaixo da Flórida, mas como tragédia. Uma tragédia, em muitos momentos engendrada ou financiada por interesses norte-americanos, e protagonizada por ditadores – no caso dominicano, Trujillo – sanguinários. Unir essas rotas num único volume, faz do primeiro romance de Díaz, que ganhou o Pulitzer de ficção em 2008, um risco e um assombro.

Tratei de “A fantástica vida breve de Oscar Wao”, no Clube do Livro CBN de hoje.

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