Arquivo do autor:Zé Godoy

Visitando Manhattan com Frank O’Hara

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Quando escrevi alguns dos poemas de “A arte de andar por aí sem portar um celular” desejava trazer para os versos um pouco da energia que brota do contato do poeta com as ruas da metrópole; um misto de desejo e risco, uma dança tão intensa quanto caótica. Tinha como modelo o trabalho de alguns poetas, entre eles Frank O’Hara, que acaba de ter sua primeira coletânea editada no Brasil. Falo um pouco dele e do lançamento de “Meu coração está no bolso”, no “Cultura & Estilo”, do Valor Econômico de hoje.


Antes da queda, de Noah Hawley

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Um jatinho particular se espatifa no mar com onze pessoas. Duas sobrevivem depois de uma jornada épica. A narrativa se abre. Quem eram aquelas pessoas? O que faziam?, o que fizeram?, quais seus desejos e medos profundos?; o que os unia? E. Já que se trata aqui de uma história de milionários, que histórias subterrâneas habitam suas biografias? Será que elas podem dar conta de explicar o que parece ter sido acidental?

Essas são perguntas lançadas por Antes da queda, narrativa eletrizante do roteirista e romancista Noah Hawley, em que as imbricações entre artes, finanças e o entretenimento televisivo são a porta de entrada para discutir ética e poder num mundo globalizado.

Tratei do romance de Hawley no Clube do Livro dessa semana.


Harold Bloom lê a “Comédia”de Dante

 


Uma mulher melhor que seu tempo

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Professora, recepcionista, telefonista, faxineira, a americana Lucia Berlin migrou de profissões (profissões que mulheres da sua geração eram permitidas ocupar), trocou de maridos, de cidades, e em meio às turbulências e inquietudes de uma personalidade que não cabia em papéis predeterminados, escreveu uma obra rica, complexa, com tipos únicos, exprimindo uma sensibilidade que ora emociona, ora pinta um sorriso nos lábios. Redescoberta mais de dez anos após sua morte, virou um pequeno fenômeno literário. Agora ela chega por aqui, numa edição recém lançada, de que tratei no Clube do Livro desta semana.


Dante Alighieri constrói versos como quem ergue um edifício

 


A intensa vida de Leopoldina, imperatriz brasileira

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Imagine uma jovem de 20 anos, criada em uma das cortes mais refinadas da Europa, sobrinha-neta de Maria Antonieta, cunhada de Napoleão, cujo tio patrocinava Beethoven e a madrasta papeava com Goethe, casando-se por procuração com um desconhecido, e então empreendendo, numa embarcação tão lenta quanto um bonde, a travessia do Atlântico até desembarcar num continente que, em distância e hábitos, mais se assemelharia a uma província lunar. Cansou-se? Sim, pois eu me canso em imaginar e tentar descrever nessas poucas linhas uma das passagens da intensa vida da austríaca Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil. Em “D. Leopoldina, a história não contada”, do pesquisador Paulo Rezzutti há muito mais. Tratei dele no Clube do Livro de hoje.


Profundas feridas do Apartheid

Desonra

Resenha nenhuma é capaz de dar conta das infinitas possibilidades de leitura de Desonra, do sul-africano J.M. Coetzee, livro deste abril no Clube do Livro CBN. O choque entre civilização e barbárie na África do Sul pós-apartheid, talvez seja a mais óbvia porta de entrada. Mas há mais. Muito mais. Questões morais, expiação não-religiosa; revanche num país em que as feridas de origem são profundas demais. A escrita de Coetzee é como sempre límpida, profunda, envolvente. Suas ideias são claras, o conteúdo de suas ações explosivo. Não tenho prurido em afirmar se tratar do romance mais importante escrito nos últimos vinte anos. Leiam e façam suas apostas. Aqui o papo de hoje no Clube do Livro.