Arquivo da categoria: Clube do Livro CBN

Antes da queda, de Noah Hawley

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Um jatinho particular se espatifa no mar com onze pessoas. Duas sobrevivem depois de uma jornada épica. A narrativa se abre. Quem eram aquelas pessoas? O que faziam?, o que fizeram?, quais seus desejos e medos profundos?; o que os unia? E. Já que se trata aqui de uma história de milionários, que histórias subterrâneas habitam suas biografias? Será que elas podem dar conta de explicar o que parece ter sido acidental?

Essas são perguntas lançadas por Antes da queda, narrativa eletrizante do roteirista e romancista Noah Hawley, em que as imbricações entre artes, finanças e o entretenimento televisivo são a porta de entrada para discutir ética e poder num mundo globalizado.

Tratei do romance de Hawley no Clube do Livro dessa semana.


Uma mulher melhor que seu tempo

lucia berlin

Professora, recepcionista, telefonista, faxineira, a americana Lucia Berlin migrou de profissões (profissões que mulheres da sua geração eram permitidas ocupar), trocou de maridos, de cidades, e em meio às turbulências e inquietudes de uma personalidade que não cabia em papéis predeterminados, escreveu uma obra rica, complexa, com tipos únicos, exprimindo uma sensibilidade que ora emociona, ora pinta um sorriso nos lábios. Redescoberta mais de dez anos após sua morte, virou um pequeno fenômeno literário. Agora ela chega por aqui, numa edição recém lançada, de que tratei no Clube do Livro desta semana.


A intensa vida de Leopoldina, imperatriz brasileira

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Imagine uma jovem de 20 anos, criada em uma das cortes mais refinadas da Europa, sobrinha-neta de Maria Antonieta, cunhada de Napoleão, cujo tio patrocinava Beethoven e a madrasta papeava com Goethe, casando-se por procuração com um desconhecido, e então empreendendo, numa embarcação tão lenta quanto um bonde, a travessia do Atlântico até desembarcar num continente que, em distância e hábitos, mais se assemelharia a uma província lunar. Cansou-se? Sim, pois eu me canso em imaginar e tentar descrever nessas poucas linhas uma das passagens da intensa vida da austríaca Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil. Em “D. Leopoldina, a história não contada”, do pesquisador Paulo Rezzutti há muito mais. Tratei dele no Clube do Livro de hoje.


Profundas feridas do Apartheid

Desonra

Resenha nenhuma é capaz de dar conta das infinitas possibilidades de leitura de Desonra, do sul-africano J.M. Coetzee, livro deste abril no Clube do Livro CBN. O choque entre civilização e barbárie na África do Sul pós-apartheid, talvez seja a mais óbvia porta de entrada. Mas há mais. Muito mais. Questões morais, expiação não-religiosa; revanche num país em que as feridas de origem são profundas demais. A escrita de Coetzee é como sempre límpida, profunda, envolvente. Suas ideias são claras, o conteúdo de suas ações explosivo. Não tenho prurido em afirmar se tratar do romance mais importante escrito nos últimos vinte anos. Leiam e façam suas apostas. Aqui o papo de hoje no Clube do Livro.


Daniel Pennac conta a história de um corpo ao longo da vida

PENNAC

Este corpo que você habita tem vontades, ciclos, história e uma série de outras coisas que você ainda desconhece. Perguntar-se sobre o corpo já preencheu a vida de filósofos e anatomistas. O corpo sou eu? O corpo é apenas a matéria animada por algo a que chamamos, conforme a crença, de espírito, alma? São perguntas assim que Daniel Pennac deve ter feito a si, quando começou a escrever seu “Diário de um corpo”, de que tratei no Clube do Livro de hoje. Transformando o diário fictício de um homem ao longo da vida, revela, entrada a entrada, ano a ano, essa que é a mais íntima de todas as relações – a de nós (se afinal estamos fora) e este incrível equipamento que habitamos.


Julian Barnes e a vida de um gênio assombrado pelo Poder

BarnesO que mais assusta nas ditaduras, principalmente naquelas personificadas num único grande líder, é sua capacidade de encenar no campo social os mais profundos e aterrorizadores estereótipos da paternidade. Pais tiranos, que ditam aos filhos o que fazer, arrasam vidas, condenam ao encolhimento a potência de talentos nunca realizados. E quando esse filho é um artista, um grande artista, a humilhação parece ser o traço mais profundo e constante dessa relação conturbada. O novo livro de Julian Barnes, “O ruído do tempo”, comentado no Clube do Livro desta semana, trata de um desses casos, um dos mais notórios do século XX. Reordenando, numa trama ficcional, as relações entre Dimitri Shostakovich e a cúpula do Partido Socialista da antiga União Soviética, expõe ao leitor em passagem memoráveis os efeitos práticos da tirania sobre os indivíduos.


“Beethoven, angústia e triunfo”

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Introspectivo, baixinho, filho de pai alcoólatra, desprezado por conta da cor de sua pele, um fiasco no amor, um catálogo de doenças, e por fim, surdo. Vivendo em condições físicas e emocionais que derrubariam boa parte dos mortais, Ludwig Van Beethoven transformou angústias em massas sonoras repletas de amor e fúria. A colossal biografia do compositor e crítico norte-americano Jan Swafford tenta dar conta dessa personalidade, espelhando obra e vida; reconstituindo página a página a trajetória do jovem que sai de Bonn para mudar o rumos da música em Viena.

No Clube do Livro de hoje tratei do livro de Swafford “Beethoven – Angústia e Triunfo”, que acaba de sair no país.