Arquivo da categoria: Clube do Livro CBN

“O túnel”, de Ernesto Sabato

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Nesta semana tratei no Clube do Livro CBN, do livro de férias, o primoroso “O túnel”, do argentino Ernesto Sabato.

A biografia de Sabato, por si só, já daria uma história saborosa. Físico talentoso, passou por Paris e pelo IMT antes de ser tomado por uma crise vocacional. Largou tudo para morar numa casa pequena fora da cidade e dedicar-se à escrita. “O túnel” é resultado desse processo, mas nenhuma editora argentina topa publicá-lo. Acaba sendo acolhido pela revista Sur, de Victoria Ocampo, fundamental para fixar a ideia de literatura argentina que guardamos em nossas mentes.

“O túnel”trata de um crime passional, narrado pelo assassino, Juan Pablo Castel, que se propõe a contar “com inteira imparcialidade”o processo que o levou a tirar a vida de sua amante, Maria Iribarne. Estruturado em 39 pequenos capítulos, que internalizam uma forma de aparência simples, mas de feitio extremamente sofisticado, o que se oferece ao leitor é um profundo estudo sobre os mecanismos da mente, da vida que se passa na consciência enquanto são encenados os atos do mundo. Existencialista e desalentado, trata-se de uma crítica feroz à própria condição humana.

 

 

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Frida Kahlo recepciona Trotsky no México

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No Clube do Livro desta semana tratei de Viva!, em que o francês Patrick Deville reconstitui os últimos anos da vida de Trotsky, a partir de sua chegada ao México, naquele momento transformado em pólo de atração de artistas e revolucionários.


Drummond, Suassuna e Pirandello

Drummond

Tratei nessas últimas semanas no Clube do Livro de três lançamentos importantes nesta reta final de 2017. Uma forma de saudade, que reúne parte do diário do poeta Carlos Drummond de Andrade; Romance de Dom Pantero no palco dos pecadores, inédito póstumo de Ariano Suassuna; e de Pirandello em cinco atos, coletânea de peças inéditas do Nobel italiano.


O homem que amava os livros

Zahar

A história do livro é vasta, intrincada, fascinante, sugando para dentro de seus meandros sinuosos os mais diversos campos do conhecimento, atraindo escritores e teóricos da literatura, tanto quanto historiadores e sociólogos. Editores são parte fundamental nesse processo de escolha e co-autoria (tantos são os livros que nascem do diálogo estabelecido entre o autor e aquele que o publica). Em tempos em que editoras se comportam como engrenagens burocráticas do capitalismo globalizado e anódino, é uma sorte conhecer a trajetória de um personagem como o fluminense Jorge Zahar, que mais do que batizar a editora que é referência no campo das humanidades no país, construiu uma das mais instigantes carreiras da história do livro no Brasil. O belo trabalho de Paulo Roberto Pires, mais do que organizar a trajetória do editor, funciona como um amplo painel do longo e complexo processo de profissionalização dos negócios editoriais no país. Um negócio em que paixões e intuições tantas vezes são mais certeiras do que planilhas e manuais de gerenciamento. Tratei de A marca do Z, biografia de Jorge Zahar, no Clube do Livro desta semana.


Um gato viaja, um homem se despede

Hiro ArikawaHomem solitário alimenta gato. Homem solitário cuida de gato ferido. Homem solitário adota gato. Convivem. Homem não mais solitário e gato viajam pelo país. Eis o preâmbulo de Relatos de um gato viajante, da japonesa Hiro Arikawa, de que tratei no Clube do Livro desta semana. Dando prosseguimento a uma longa tradição de gatos personagens, Arikawa relata uma bela aventura íntima que, construída com aparente simplicidade, oferece uma profunda reflexão sobre os afetos e a reconciliação com a própria história.


Vinicius, todo Vinicius

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Tratei no Clube do Livro de hoje da obra de Vinicius de Moraes em dois projetos organizados pelo poeta e crítico Eucanaã Ferraz. A caixa com dois volumes que cobrem toda produção literária (poemas, prosa e teatro) e o cancioneiro de Vinicius, e Todo amor, coletânea que percorre crônicas, poemas, cartas e letras de canções do escritor em que o amor é tematizado.


Lydia Davis e a arte de transformar o pequeno em maravilhoso

Davis

No último Clube do Livro, tratei do lançamento no Brasil de Nem vem, coletânea de narrativas breves da norte-americana Lydia Davis. Davis criou uma espécie de gênero híbrido entre o conto curto, o insight e a anotação. Recorta das origens mais diversas – o sonho, uma ficção de Flaubert, a observação cotidiana – pedaços de vida, recombinados por meio da linguagem. Relações familiares, afeto por animais, a psicologia de um personagem, as pequenas manias de cada um de nós. Em tempos acelerados como estes, o amplo mosaico de pequenas grandes histórias de Davis é um alívio e um contentamento.