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“Beethoven, angústia e triunfo”

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Introspectivo, baixinho, filho de pai alcoólatra, desprezado por conta da cor de sua pele, um fiasco no amor, um catálogo de doenças, e por fim, surdo. Vivendo em condições físicas e emocionais que derrubariam boa parte dos mortais, Ludwig Van Beethoven transformou angústias em massas sonoras repletas de amor e fúria. A colossal biografia do compositor e crítico norte-americano Jan Swafford tenta dar conta dessa personalidade, espelhando obra e vida; reconstituindo página a página a trajetória do jovem que sai de Bonn para mudar o rumos da música em Viena.

No Clube do Livro de hoje tratei do livro de Swafford “Beethoven – Angústia e Triunfo”, que acaba de sair no país.


Machado em cartas

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Machado fotografado por Marc Ferrez, 1890

Ah! Essa curiosidade pela vida alheia… Banalizada nestes tempos de celebridades, subcelebridades e adjacências, essa fagulha que nunca adormece sobre a vida privada dos que nos cercam ou nos antecederam é a porta de entrada para a micro-história que reorganiza fatos e personagens que supomos conhecer. Digo isso por conta das cartas. Como? Sim, falo de cartas em tempos de polegares acelerados em telas virtuais. Falo do prazer de escrever e receber cartas (quem nunca recebeu uma carta há muito esperada não conheceu o solo mais fundo das fantasias); e mais ainda de ler cartas de um outro. De um outro que admiramos. Cartas, por exemplo, de Machado de Assis. Sim, por que não? Você pode, eu posso. Sua longa e caudalosa correspondência – ativa e passiva – está coligida nos cinco volumes da bela edição da ABL coordenada pelo acadêmico Sérgio Paulo Rouanet. Ainda melhor, os três primeiros você pode ler aqui. Além disso, nesta quinta, dia 16, a partir das 14h30, você pode ver e ouvir (aqui) Rouanet e Alfredo Bosi, entre outros, falando de Machado numa mesa redonda no IEA-USP.

No Clube do Livro de hoje conto um pouco do conteúdo dessas cartas. Da crítica de Machado ao “Primo Basílio” e a resposta de Eça de Queirós, à recepção decepcionante do público a “Memórias Póstumas”. Os acontecimentos que transformarão o jovem Machado, boêmio e muito menos casmurro do que se pensa, no maior escritor da recentíssima República brasileira.


“Um amor incômodo”, Elena Ferrante

Primeira obra da escritora que publica sob o pseudônimo Elena Ferrante, Um amor incômodo é uma narrativa que antecipa diversos elementos que serão explorados na tetralogia napolitana que faz sucesso em todo mundo. Nápoles e suas camadas sociais mais baixas; mulheres capazes e vibrantes enclausuradas numa sociedade violenta e machista, que precisam deixar a cidade para se emancipar. Sobretudo paira, talvez com intensidade ainda maior do que em seus livros posteriores, a aura de mistério sobre quais motivos movem as ações de seus personagens, e que nesta estreia que já demonstrava uma autora pronta, é intensificada pelas suspeitas de um crime.

elena 3Tratei mais de “Um amor incômodo” no Clube do Livro de hoje.


“Tarântula”, de Bob Dylan

dylanComo tudo que cerca a trajetória de Bob Dylan, a ficção”Tarântula”, que volta trinta anos depois às livrarias brasileiras em nova tradução, é envolvida numa mitologia própria, áreas nebulosas e culto. Versões piratas anteriores ao lançamento oficial, conflito entre Dylan e seu empresário, se somam a um texto difícil de ser definido quanto ao gênero. Às vezes poesia, às vezes prosa, em muitos momentos prosa-poética, um romance na definição de Dylan, ou, simplesmente, um texto “dylaneano”, com articulação e ritmo que qualquer um que goste de suas canções irá imediatamente reconhecer.

Tratei mais de Tarântula no Clube do Livro de hoje, um enclave folk-rock em meio à maratona carnavalesca.


Luiz Lopes Coelho, precursor do romance policial no Brasil

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Tratei hoje no Clube do Livro, de “Contos reunidos”, volume que reúne os três livros publicados por Luiz Lopes Coelho, um dos primeiros autores a se dedicar à narrativa policial no país.


Clementina, enfim biografada

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Tradição oral, parcamente documentada na bibliografia nacional, afastada do radar diluidor das grandes gravadoras, o cancioneiro de matriz africana, herança direta do longo período de escravidão no Brasil, encontrou na voz potente e única de Clementina de Jesus seu registro mais original. Por sorte, ajuda do destino, faro e ouvidos agudos de Hermínio Bello de Carvalho, ela foi resgatada do Vale dos Desconhecidos para produzir uma carreira extraordinária. Os trinta anos de sua morte, como quase tudo o que se refere à memória, história e cultura no Brasil, restringiram sua herança a poucos interessados. É de saudar com rodas de jongo e partido-alto por todo o Brasil o lançamento de “Quelé – A voz da cor”, bela biografia da cantora realizada (numa outra boa surpresa) por quatro empenhados jovens jornalistas. Essa pérola, que chega ao público nesta semana, foi o tema do Clube do Livro de hoje.


Melville visita Dom Pedro II

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No Clube do Livro de hoje tratei do lançamento no Brasil de “Jaqueta Branca ou O mundo em um navio de guerra”, em que Herman Melville narra a vida numa embarcação de guerra americana nos anos 1840, com direito a uma visita ao Rio de Janeiro de Dom Pedro II.