Arquivo da categoria: Clube do Livro CBN

Tudo que São Paulo poderia ser

Lores

As cidades, assim como os homens, possuem janelas de tempo em que podem ser tudo o que poderiam ser. Momentos em que os homens certos estão no lugar certo na época certa. É impossível que não deixem marcas. Por maiores que sejam seus equívocos, as cidades mantêm em algum filigrana de seu corpo, o rastilho de beleza de uma época assim, gloriosa. Não estou pensando na Florença de Brunelleschi, nem na Paris de Haussmann. Estou pensando nessa que é a maior metrópole ao sul do Equador, onde hoje habitam nossos sonhos intranquilos. Falo da São Paulo que existiu, e que é possível pressentir quando o caminhante desacelera o passo e olha ao redor de partes do Centro ou de Higienópolis. São Paulo nas alturas, livro do jornalista Raul Juste Lores, funciona como um lembrete, um lembrete desses que podemos guardar em nossas cabeceiras, e todos os dias, antes de sonhar, folheá-lo. Recuperando os anos 1950 e os homens que desenharam projetos e ergueram edifícios, ainda hoje icônicos, Lores conta uma história deliciosa sobre uma época que devemos ter fresca na mente como aliada em nossa busca por uma cidade melhor.

Tratei de São Paulo nas alturas no Clube do Livro desta semana.

Anúncios

A biblioteca de Borges e um romance sobre Giacomo Casanova

Marai

No Clube do Livro das últimas semanas tratei do projeto Borges babilônico, volume que cobre por meio de entradas temáticas referências, personagens e leituras de Jorge Luis Borges (você ouve aqui).

Sándor Márai, talvez o maior nome do romance russo no século XX, chega também as nossas livrarias com Jogo de cena em Bolzano, deliciosa ficção sobre os dias seguintes à fuga de Casanova dos porões do Palazzo Ducale em Veneza (este comentário você ouve aqui).


Depois do amor, o amor

No Clube do Livro de hoje tratei de O curso do amor, misto de romance e ensaio filosófico, em que o suíço Alain de Botton reflete sobre o amor na contemporaneidade.


Assim começa o mal, de Javier Marías

marias 2Nos primeiros anos após a morte do ditador Franco, a Espanha mergulha numa época de euforia e hedonismo, de liberação do corpo e dos costumes. Um novo tempo que convive com as marcas da longa noite de quatro décadas com sua maciça repressão e patrulhamento. Como conciliar esses dois tempos? Que história (e quem a conta) irá se fixar como verdade, como relato oficial? O que deve ser esquecido, o que sempre deve ser lembrado? E a partir dessas escolhas, qual seu efeito sobre as histórias coletivas e privadas. Essas questões permeiam o amplo arco narrativo do primoroso de Assim começa o mal, do espanhol Javier Marías, Livro do mês do Clube do Livro CBN. Longo relato (de som e fúria) de um ex-assistente de um conhecido diretor de cinema, que relembra aqueles anos 1980, e sua próxima e profunda relação com aquele tempo e seus persongens mais próximos.


Caminhar, parar, pensar

Careri

Francesco Careri andou por aí, na maior parte do tempo acompanhado. Andou pela cidade, pelas cidades, onde elas deixam de ser a ideia equivocada que dela guardamos. Fímbrias, limites, vielas sem nome ou número. O que ele viu e pensou está no seu Caminhar e pensar, que o arquiteto e ativista da prática de caminhar como conhecimento, lança por aqui.

Dos mal sucedidos projetos de moradia para imigrantes e ciganos na Europa aos fantasmas da repressão internalizados pela população de Santiago. Da Bogotá dos territórios divididos pela guerrilha, o Estado e o narcotráfico à São Paulo e sua miríade de projetos de urbanização exibidos na periferia da cidade, as portas de entrada são inúmeras neste livro híbrido, ora manifesto, ora crítica urbanística, muitas vezes crônica, outras tantas narrativa de viagem. Tratei dele no Clube do Livro de hoje.


Karl Ove narra as peripécias do jovem Karl Ove

Karl Ove

Sai agora no Brasil o quinto volume da série “Minha Luta”, do norueguês Karl Ove Knausgard. A descoberta da escrita recupera as peripécias do jovem Karl Ove em Bergen, quando ensaiava os primeiros passos na carreira de escritor. Tratei dele no Clube do Livro de hoje.


Santinhos no Texas

BerlinJá falei de Lucia Berlin aqui, e de sua seleta de contos Manual da faxineira. No Livro do Mês do Clube do Livro CBN analiso com um pouco mais de detalhamento uma de suas peças. Tratei de “Estrelas e santos”, construção típica do estilo de Berlin, exploradora das fronteiras nebulosas da autobiografia e da ficção. Uma narradora retoma uma passagem da infância. Um colégio católico no Texas, uma garota protestante, vinda de uma família disfuncional. Mal entendidos, inveja, bullying e religião se misturam no caldeirão. O tom de Berlin é autoirônico, espirituoso, como se não levasse tão a sério as seríssimas circunstâncias da vida. Para os ouvidos mais atentos, Berlin narra como a vizinha exótica que nos conta suas histórias numa tarde de verão regada a álcool e afeto.