Beatriz: a maior das fantasias de Dante Alighieri

 


“A fantástica vida breve de Oscar Wao”diverte e assombra

Junot Díaz

Duas rotas correm em paralelo na terna e hilária narrativa “A fantástica vida breve de Oscar Wao”, de Junot Díaz. É impossível não se divertir com as peripécias de Oscar, um geek, de origem dominicana, que vive num subúrbio de Nova Jersey (para ser exato em Paterson, cidade-ícone na literatura americana de que falei aqui). Seu amor pela chamada baixa cultura (será que ainda devemos validar esse tipo de etiqueta?), sua obsessão por Tolkien e acima de tudo em encontrar um amor, comovem e divertem. Já teríamos aí um livro, mas há um segundo, mais denso, profundo e cruel, protagonizado pelas mulheres de Oscar: sua mãe e sua irmã. Principalmente a mãe, Beli, e a trajetória que a leva de Santo Domingo para os Estados Unidos.

Esta América, que dá corpo e voz aos Estados Unidos contemporâneos, e que o demente Trump imagina que possa represar com um muro físico, reencena a história que não se repete como farsa nos países abaixo da Flórida, mas como tragédia. Uma tragédia, em muitos momentos engendrada ou financiada por interesses norte-americanos, e protagonizada por ditadores – no caso dominicano, Trujillo – sanguinários. Unir essas rotas num único volume, faz do primeiro romance de Díaz, que ganhou o Pulitzer de ficção em 2008, um risco e um assombro.

Tratei de “A fantástica vida breve de Oscar Wao”, no Clube do Livro CBN de hoje.


Visitando Manhattan com Frank O’Hara

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Quando escrevi alguns dos poemas de “A arte de andar por aí sem portar um celular” desejava trazer para os versos um pouco da energia que brota do contato do poeta com as ruas da metrópole; um misto de desejo e risco, uma dança tão intensa quanto caótica. Tinha como modelo o trabalho de alguns poetas, entre eles Frank O’Hara, que acaba de ter sua primeira coletânea editada no Brasil. Falo um pouco dele e do lançamento de “Meu coração está no bolso”, no “Cultura & Estilo”, do Valor Econômico de hoje.


Antes da queda, de Noah Hawley

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Um jatinho particular se espatifa no mar com onze pessoas. Duas sobrevivem depois de uma jornada épica. A narrativa se abre. Quem eram aquelas pessoas? O que faziam?, o que fizeram?, quais seus desejos e medos profundos?; o que os unia? E. Já que se trata aqui de uma história de milionários, que histórias subterrâneas habitam suas biografias? Será que elas podem dar conta de explicar o que parece ter sido acidental?

Essas são perguntas lançadas por Antes da queda, narrativa eletrizante do roteirista e romancista Noah Hawley, em que as imbricações entre artes, finanças e o entretenimento televisivo são a porta de entrada para discutir ética e poder num mundo globalizado.

Tratei do romance de Hawley no Clube do Livro dessa semana.


Harold Bloom lê a “Comédia”de Dante

 


Uma mulher melhor que seu tempo

lucia berlin

Professora, recepcionista, telefonista, faxineira, a americana Lucia Berlin migrou de profissões (profissões que mulheres da sua geração eram permitidas ocupar), trocou de maridos, de cidades, e em meio às turbulências e inquietudes de uma personalidade que não cabia em papéis predeterminados, escreveu uma obra rica, complexa, com tipos únicos, exprimindo uma sensibilidade que ora emociona, ora pinta um sorriso nos lábios. Redescoberta mais de dez anos após sua morte, virou um pequeno fenômeno literário. Agora ela chega por aqui, numa edição recém lançada, de que tratei no Clube do Livro desta semana.


Dante Alighieri constrói versos como quem ergue um edifício