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Karl Ove narra as peripécias do jovem Karl Ove

Karl Ove

Sai agora no Brasil o quinto volume da série “Minha Luta”, do norueguês Karl Ove Knausgard. A descoberta da escrita recupera as peripécias do jovem Karl Ove em Bergen, quando ensaiava os primeiros passos na carreira de escritor. Tratei dele no Clube do Livro de hoje.


Clube do Livro – “A morte do pai”, Karl Ove Knausgard

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O livro deste mês no Clube do Livro foi a primeira parte da série Minha Luta, do norueguês Karl Ove Knausgard, “A morte do pai”. Neste projeto literário ambicioso e impressionante, o que salta aos olhos desde o primeiro volume (que se abre com uma descrição monumental do funcionamento das engrenagens da vida) é a exploração de duas questões fundamentais para a narrativa contemporânea: a ficcionalização da memória e o fastio das engrenagens ficcionais.

Narrar, escrever sobre a experiência encerrada, discursar no presente sobre o já ocorrido, todos sabemos ou de certa forma intuímos ser como um imenso jogo de forca: palavras soltas, frases solitárias que, sem vizinhas próximas para se juntar, se recusam a nos oferecer sentidos. O que Karl Ove expõe em seu projeto é a possibilidade de colar essas partes soltas por meio da ficção, unindo numa narrativa o que tantas vezes é só fragmento.

Ao mesmo tempo, narrar a própria experiência por meio das engrenagens ficcionais é um modo de escapar da repetição de convenções que apenas se sustentam neste século acelerado pela imensa generosidade do leitor. Karl Ove propõe que não é preciso inventar nomes e tramas para se contar uma história que obedeça a regra básica da ficção: o contrato de verossimilhança, a crença do leitor em que o que é narrado possa ou poderia ter acontecido.