“Stoner”, de John Williams, leitura incontornável

stonerO que há de mais primoroso na prosa de John Williams, autor deste Stoner, livro de férias do Clube do Livro, é sua capacidade de, lentamente, por meio de um trabalho minucioso de construção literária, revelar o aprofundamento da vida de seu protagonista – as diversas camadas de seus interesses, paixões e decepções. Oriundo de uma humilde família de pequenos proprietários rurais no Missouri, William Stoner chega à universidade em 1910, para cursar Ciências Agrárias, com o objetivo de se preparar para auxiliar seus pais. O rompimento dessa trajetória esperada, seduzido pela paixão literária e o incentivo de um professor-mentor, é o momento central nessa vida que será deslindada magistralmente pela prosa de John Williams. Página a página, acompanhamos o desenrolar de sua carreira acadêmica e de sua vida pessoal, e a partir dessas relações, tão próximas a qualquer um de nós – colegas, superiores, estruturas burocráticas, pais, filhos –, algo de assombroso vai se revelando: uma percepção profunda sobre o arco da existência, dos limites da vontade e do temperamento, do enfrentamento entre o homem e o mundo. É difícil dizer mais – e eu, imprudente, digo mais no Clube do Livro de hoje – sem ter que recorrer a trechos da obra, mais adequados do que a capacidade de analisá-la. Então encerremos assim, com uma passagem, que, espero, sirva de porta para uma leitura mais prolongada:

“Os colegas de Stoner, que não o tinham em grande estima quando vivo, quase nunca falam dele agora; para os mais velhos, o seu nome é um lembrete do fim que aguarda a todos, e para os mais jovens é só um som que não evoca nenhuma sensação do passado e nenhuma imagem específica na qual eles consigam se reconhecer ou à qual possam associar suas carreiras (…)”


Luiz Lopes Coelho, precursor do romance policial no Brasil

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Tratei hoje no Clube do Livro, de “Contos reunidos”, volume que reúne os três livros publicados por Luiz Lopes Coelho, um dos primeiros autores a se dedicar à narrativa policial no país.


Clementina, enfim biografada

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Tradição oral, parcamente documentada na bibliografia nacional, afastada do radar diluidor das grandes gravadoras, o cancioneiro de matriz africana, herança direta do longo período de escravidão no Brasil, encontrou na voz potente e única de Clementina de Jesus seu registro mais original. Por sorte, ajuda do destino, faro e ouvidos agudos de Hermínio Bello de Carvalho, ela foi resgatada do Vale dos Desconhecidos para produzir uma carreira extraordinária. Os trinta anos de sua morte, como quase tudo o que se refere à memória, história e cultura no Brasil, restringiram sua herança a poucos interessados. É de saudar com rodas de jongo e partido-alto por todo o Brasil o lançamento de “Quelé – A voz da cor”, bela biografia da cantora realizada (numa outra boa surpresa) por quatro empenhados jovens jornalistas. Essa pérola, que chega ao público nesta semana, foi o tema do Clube do Livro de hoje.


Melville visita Dom Pedro II

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No Clube do Livro de hoje tratei do lançamento no Brasil de “Jaqueta Branca ou O mundo em um navio de guerra”, em que Herman Melville narra a vida numa embarcação de guerra americana nos anos 1840, com direito a uma visita ao Rio de Janeiro de Dom Pedro II.


Benedetti e os habitantes de Montevidéu

benedettiMontevideanos apareceu 1959, e de lá em diante a carreira de Mario Benedetti dá um salto, um amplo salto, que o irá colocar ao longo das décadas seguintes, ao lado de Juan Carlos Onetti, como o primeiro nome uruguaio que vêm à mente dos interessados no incrível conjunto de grandes narradores que ocupou o cone sul deste nosso continente no século passado. São 19 contos. Contos breves, instantes testemunhados por narradores que parecem habitar um tempo-espaço muito próprio: doméstico, introspectivo, atento. Tratei dele no Clube do Livro CBN de hoje.


Clube do Livro com o chefe, Bruce Springsteen

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No Clube do Livro de hoje tratei da autobiografia “Born to run”, do roqueiro Bruce Springsteen, que acaba de sair no Brasil. Longo relato sobre a trajetória desse ícone do canção americana.


“Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski