Dostoiévski se casa na Sibéria

No meu canal no Youtube, a segunda parte do longo período de Dostoiévski na Sibéria, incluídas as peripécias de seu casamento com Maria Dmítrievna.


Clube do Livro – A imaginação vertiginosa de Campos de Carvalho

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No Clube do Livro desta semana tratei do retorno às livrarias do mineiro Campos de Carvalho, que completaria 100 anos neste 2016. Campos produziu uma obra única, trabalhando nos labirintos da mente, questionando com seus livros repletos de atos falhos e situações absurdas os pretensos estados de normalidade que o Estado e as sociedades contemporâneas fantasiam preservar.


A euforia dos livros

Caminhar pelas tendas da 18a. Festa do Livro da USP é uma oportunidade de recarregar as esperanças num país mais crítico e preparado para empreender as tão necessárias mudanças em nossa sociedade.


Os anos de Dostoiévski na Sibéria


Réquiem para Leonard Cohen

Photo of Leonard Cohen

Vamos começar assim, Leonard Cohen era poeta. Um grande poeta. Vamos caminhar um pouco por aqui, por esse terreno pantanoso desse gênero, um enclave neste mundo pragmático movido pela boca gulosa do consumismo. Em algum lugar entre as décadas finais do século XVIII e as primeiras do século XIX a sociedade burguesa voltou sua sistemática, seus modos de produção para as narrativas. Folhetins e então a maravilha de encartar e encadear capítulos em volumes impressos. Eis o romance burguês, gênero perfeito deste novo tempo. Gênero feito para a máquina de imprimir e circular, não mais o artesanato, não mais o toque da mão. Agora o toque da máquina. A poesia aqui se desloca. Enceta aventuras, alimenta a alma dos eruditos, os amores românticos, o repertório dos narradores. A poesia não está mais no centro. O poeta, como profissão, não existe. Nunca existiu, se pensarmos como atividade produtiva. O poeta não produz. O produz não opera no terreno da utilidade prática. Vive, porque precisa viver, de outras habilidades. É tutor, às vezes tem a sorte de ser herdeiro. Se é um duro, sonha com um mecenas, uma bolsa de fundação nos dias mais recentes. Cohen começa assim. O governo canadense paga o jovem e promissor poeta para pensar por um tempo. Tempo é tudo de que o poeta precisa. Cohen se manda para Londres, depois para a Grécia. Cria, publica seus livros, que são lidos e aclamados. Mas Cohen quer ser artista. Não quer seu tempo num departamento de universidade. Não quer uma redação jornalística. Quer ser artista, mas a vida é mais rápida que a velocidade de bolsas e prêmios. A canção popular é sua saída. É possível trovar e ser pago no século XX. Muito bem pago. Não fosse o pânico de subir ao palco e tudo estaria resolvido. Não fosse a desconfiança do papel tantas vezes ridículo do artista popular do século XX tudo estaria resolvido. Mas não estava. É um dilema da alma. O artista quer ser amado, mas não quer ser deglutido como o bispo Sardinha. Quer ser consciente, estar consciente, mas como, se tudo é furor e velocidade? Anos, décadas para sofrer menos e encontrar um caminho. Achar a própria voz em meio a tanto ruído. Achar a voz. Uma voz pra dentro e pra fora. Uma voz de dentro. Lugar onde as pontas se tocam. O poeta e o trovador. Arco e flecha. Introspecção e fúria. Leonard Cohen, poeta morto no último dia 7.

No Clube do Livro desta semana tratei da carreira literária de Cohen.


Clube do Livro – Uma viagem no tempo e no espaço com David Mitchell e Maja Lunde

No Clube do Livro desta semana tratei de duas narrativas que exploram a capacidade da forma romance se moldar às mais complexas estruturas construídas por cada autor. Tanto o britânico David Mitchell quanto a norueguesa Maja Lunde irão explorar em suas obras, recém-lançadas no Brasil – “Atlas de nuvens”e “Tudo que deixamos para trás”, respectivamente, – vastos panoramas temporais, passeando por séculos, construindo múltiplas histórias com protagonistas diversos ligados de forma sutil, mas determinante para seus destinos. Mitchell partindo de um diário de bordo de um navegador inglês do século XIX irá atravessar o século XX, passeará por gêneros como o romance epistolar e a trama policial para desaguar numa ficção científica que irá alcançar o século XXII, com clones e revoltas num mundo distópico. Lunde também se valerá da falência da civilização, ainda neste nosso século, para regressar até os anos 1850, numa trama em que relações familiares correm em paralelo com a vida rural protagonizada por biólogos e produtores de abelhas. Complexo? Sim. Mas é justamente a ambição de dar forma à complexidade da vida humana o propulsor dessa forma inesgotável chamada romance moderno.


Dostoiévski diante do pelotão de fuzilamento