Caminhar, parar, pensar

Careri

Francesco Careri andou por aí, na maior parte do tempo acompanhado. Andou pela cidade, pelas cidades, onde elas deixam de ser a ideia equivocada que dela guardamos. Fímbrias, limites, vielas sem nome ou número. O que ele viu e pensou está no seu Caminhar e pensar, que o arquiteto e ativista da prática de caminhar como conhecimento, lança por aqui.

Dos mal sucedidos projetos de moradia para imigrantes e ciganos na Europa aos fantasmas da repressão internalizados pela população de Santiago. Da Bogotá dos territórios divididos pela guerrilha, o Estado e o narcotráfico à São Paulo e sua miríade de projetos de urbanização exibidos na periferia da cidade, as portas de entrada são inúmeras neste livro híbrido, ora manifesto, ora crítica urbanística, muitas vezes crônica, outras tantas narrativa de viagem. Tratei dele no Clube do Livro de hoje.


Karl Ove narra as peripécias do jovem Karl Ove

Karl Ove

Sai agora no Brasil o quinto volume da série “Minha Luta”, do norueguês Karl Ove Knausgard. A descoberta da escrita recupera as peripécias do jovem Karl Ove em Bergen, quando ensaiava os primeiros passos na carreira de escritor. Tratei dele no Clube do Livro de hoje.


Santinhos no Texas

BerlinJá falei de Lucia Berlin aqui, e de sua seleta de contos Manual da faxineira. No Livro do Mês do Clube do Livro CBN analiso com um pouco mais de detalhamento uma de suas peças. Tratei de “Estrelas e santos”, construção típica do estilo de Berlin, exploradora das fronteiras nebulosas da autobiografia e da ficção. Uma narradora retoma uma passagem da infância. Um colégio católico no Texas, uma garota protestante, vinda de uma família disfuncional. Mal entendidos, inveja, bullying e religião se misturam no caldeirão. O tom de Berlin é autoirônico, espirituoso, como se não levasse tão a sério as seríssimas circunstâncias da vida. Para os ouvidos mais atentos, Berlin narra como a vizinha exótica que nos conta suas histórias numa tarde de verão regada a álcool e afeto.


Flip melhor de gênero

flip 2017

Aqui, meu comentário no Clube do Livro CBN sobre a 15a. edição da FLIP, que começa amanhã em Paraty. Falo do novo recorte curatorial e destaco alguns nomes, entre eles o homenageado Lima Barreto, a chilena Diamela Eltit e o jamaicano Marlon James.


A arte da rivalidade

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É feito de fricção o trabalho artístico. Comparações, mestres que apontam caminhos e então são desprezados; parceiros de geração que nascem como amigos e tornam-se inimigos. Admirações perenes, emoções violentas que habitam o ofício da arte; relações que, como o espelho de Dorian Gray, aprisionam por vaidades nunca sublimadas. Essa é matéria do excelente “A arte da rivalidade”, do crítico Sebastian Smee, de que tratei no Clube do Livro de hoje. A história de quatro relações afetivas entre alguns dos maiores gigantes da arte moderna.


Uma noiva jovem espera e deseja

Baricco

A Noiva Jovem é uma menina, e em seu entorno o Pai, a Mãe e a Irmã de seu noivo ausente irão educá-la. Uma educação antes corporal que sentimental. Em paralelo, Alessandro Baricco inventa um narrador que também observa o próprio corpo se esvair enquanto escreve essa história. Nesse mundo paralelo, criado pela imaginação prodigiosa deste grande autor italiano, o que parece absurdo é mais como o lado interno da vida; escrito pelo desejo e pelo não dito, por esperas e certezas inexplicáveis, tecidos pela trama da ficção.

Tratei de A noiva jovem no Clube do Livro de hoje. 


Os caminhos da liberdade no sul escravocrata

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A Ferrovia Subterrânea era uma metáfora, mas Colson Whitehead deu-lhe materialidade por meio de sua imaginação. Não se contentou com postos de refúgio em fazendas e propriedades no sul dos Estados Unidos, necessitou de trilhas e locomotivas para contar sua história. The underground railroad – os caminhos para a liberdade, Livro do Mês do Clube do Livro CBN, trama sua narrativa por meio dessa rede de fraternidade, que auxiliou escravos em fuga a escapar do sul escravagista. É nela que Cora, sua protagonista, irá experimentar em sua carne o horror de ser um negro na América. Perseguida por um caçador de recompensas, acoitada pelas memórias da mãe fugitiva, Cora irá experimentar o pior e o melhor que o gênero humano é capaz de produzir, em sua aventura repleta de idas e vindas em direção ao utópico Norte do continente.