O poeta do instante perfeito

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“O Globo”de hoje traz minha entrevista com Ron Padgett, poeta norte-americano ligado à chamada Segunda Geração da Escola de Nova York, ex-diretor do mítico The Poetry Project no East Village, autor dos versos de “Paterson”, novo filme de Jim Jarmusch que entra em cartaz hoje no país.

 

 

 

 


Daniel Pennac conta a história de um corpo ao longo da vida

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Este corpo que você habita tem vontades, ciclos, história e uma série de outras coisas que você ainda desconhece. Perguntar-se sobre o corpo já preencheu a vida de filósofos e anatomistas. O corpo sou eu? O corpo é apenas a matéria animada por algo a que chamamos, conforme a crença, de espírito, alma? São perguntas assim que Daniel Pennac deve ter feito a si, quando começou a escrever seu “Diário de um corpo”, de que tratei no Clube do Livro de hoje. Transformando o diário fictício de um homem ao longo da vida, revela, entrada a entrada, ano a ano, essa que é a mais íntima de todas as relações – a de nós (se afinal estamos fora) e este incrível equipamento que habitamos.


No Projeto Dante, a estrutura etérea do Paraíso na “Divina Comédia”


Escombros da Segunda Guerra

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Há uma percepção equivocada, muito provavelmente alimentada por centenas de narrativas despejadas pelo cinema norte-americano, de que a vitória dos aliados sobre os nazistas mergulhou a Europa numa longa noite de sonho e alegria. Engano tenebroso, que impede a reflexão sobre um continente transformado em terra desolada, palco de conflitos, vinganças, perseguições e disputas territoriais. É o que expõe o historiador inglês Keith Lowe no impactante Continente Selvagem, que acaba de sair no Brasil. Munido de uma pesquisa monumental, Lowe reconstrói a Europa no momento imediato ao cessar-fogo, recuperando em arquivos, livros e documentos a real dimensão da herança do conflito que dizimou 30 milhões de pessoas entre os sobreviventes.

No Clube do Livro de hoje falo mais do livro de Lowe.


Julian Barnes e a vida de um gênio assombrado pelo Poder

BarnesO que mais assusta nas ditaduras, principalmente naquelas personificadas num único grande líder, é sua capacidade de encenar no campo social os mais profundos e aterrorizadores estereótipos da paternidade. Pais tiranos, que ditam aos filhos o que fazer, arrasam vidas, condenam ao encolhimento a potência de talentos nunca realizados. E quando esse filho é um artista, um grande artista, a humilhação parece ser o traço mais profundo e constante dessa relação conturbada. O novo livro de Julian Barnes, “O ruído do tempo”, comentado no Clube do Livro desta semana, trata de um desses casos, um dos mais notórios do século XX. Reordenando, numa trama ficcional, as relações entre Dimitri Shostakovich e a cúpula do Partido Socialista da antiga União Soviética, expõe ao leitor em passagem memoráveis os efeitos práticos da tirania sobre os indivíduos.


Projeto Dante – Virgílio e o poeta chegam ao Purgatório


“A velocidade da luz”, de Javier Cercas

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Javier Cercas, um dos principais narradores da Espanha, constrói seus romances nas difusas fronteiras entre fato e ficção. Embaralha autor e narrador, oferecendo dados autobiográficos, que ora se confirmam, ora se desmentem – uma estratégia de imenso êxito imaginativo, amadurecida no best-seller “Soldados de Salamina”. Este é o ponto de partida de “A velocidade da luz’, livro do mês no Clube do Livro CBN. O sucesso. O que acontece depois do sucesso. Como lidar com seu lento esfarelamento e seus efeitos sobre a alma. O quanto a experiência do triunfo em muito se assemelha à ilusão do fracasso, o quanto pode ser irmandade do horror e do vazio de uma experiência traumática. Trabalhando em dois pólos – o efeito do sucesso sobre um escritor, o fantasma da guerra sobre um veterano do Vietnã -, Cercas oferece ao leitor um amplo painel de reflexões sobre a impossibilidade de se dar conta da experiência.